Tenes que saltar
O que falar? Me toma a saudade. Me domina o sono. Prevalece ainda mais a ansiedade.
Faltam 1 hora e 45 minutos para inicar a aventura de volta para casa. Vou deixar as expressoes mais fortes para quando estiver sozinha no aeroporto com algum rolo de papel na mao. Mas o sentimentalismo nao me abandonará agora.
Estou feliz. Muito feliz. Passei os últimos dias pensando no que deixei de fazer. No que queria ter repetido mais vezes. Nos lugares que nao conheci. Bobagem. Pura bobagem. Sabe o tanto que alcancei? Nao é mentira nem vou me fazer de besta. Foi uma loucura. Um risco. Uma aventura.
Ontem, fazendo o balanço com os que me conheceram desde o princípio, me dei conta que estes 6 meses, que agora parecem somente 2 do rápido que passaram, foram mais do que uma vida. Eu nem lembrava que tinha chegado aqui sem conhecer ninguém e sem ao menos um lugar para ficar. Nestas horas posso escutar a minha mae “Gente, eu sou muito doida mesmo de deixar vocês fazerem estas coisas”. Amo a confiança e o apoio da minha mae. Ainda mais como ela – e o pai- acredita que experiências como esta sao lindas e importantes para a nossas vidas.
Sem desviar do assunto, tirei a sorte no início. O apartamento virou a minha casa. A Maggie mais do que uma companheira. Os amigos foram poucos. Verdadeiros, suficiente para mim. Todos estiverem desde o começo até agora e celebravam em igual alegria ao redor de uma mesa. Me marcaram e seguirao comigo.
O idioma sofreu uma evoluçao de 5 palavras por cada 10 minutos para uma real conversaçao sobre qualquer tema como uma pessoa normal. Nao me perguntam mais de onde sou no primeiro “Oi”. As vezes até a placa de “sou estrangeira” passa desapercebido. =)
Vivi uma faculdade de ponta cabeça. Encontrei alguém que pudesse mais ou menos cuidar dos meus papéis. Boiei, fiquei perdida. Mas tentei. Juro. No fim das contas deu certo. Fui aprovada e sentindo que aprendi mais do que em 5 anos juntos. Venci o medo de falar e fui muito persistente – o que nao era muito a minha. E nao foi fácil. Me orgulho feliz. Ganhei estrelinha dourada e tudo. Mentira. Mas seria idiota e legal.
Caramba, sao muitas coisas. Viajei. Recebi visitas. Conheci muitas pessoas. Andei a cidade inteira. Fiz aulas de tango. Dançei em uma murga. Cozinhei. Limpei. Senti bastante frio. Continuei rotinas e criei outras tantas manias. Cuidei de mim. Me conheci um pouco mais. Foi um grande prazer.
Neste tempo vivi um momento de virada marcante. Eu e o Leo voltamos a estar juntos, como deve ser. O momento global o revivemos nós dois, todos os dias, naturalmente na nossa lembrança. O que divido aqui é a minha gigante alegria. Meu amor. O Leo me dá uma força muito grande. É gostoso ver como esteve apoiando e torçendo desde quando surgiu este assunto. É gostoso dividir as experiências e comemora-las ao final do dia.
Assim como começei o blog cheio de sentimentos tumultuados por uma jornada que se iniciava, registro o último dia também com lágrimas por transbordar. A emoçao agora é de missao cumprida.... mas nao terminada. Vixi. Quantas loucuras ainda me aguardam.
Vai, sem despedidas. Droga. Pára. Nao chora agora, sua lerda. Espera a melancolia do aeroporto de madrugada que dá mais emoçao para a história. Nao lembra o Simplesmente Amor? Ai, capeta. Nao era para lembrar deste filme agora. Muito menos pense em ouvir a trilha sonora, viu? Combinamos assim entao.
À 4:30 do meu vôo (sem eventualidades de demoras, espero.). À menos de 12 horas de ver meus papais. Ansiedade? Quem? Nao conheço.
Lá vai eeelaaa, com a cabeça enfeitada.... ouvindo o melhor da Argentina, a banda uruguaia “No Te Va Gustar” revesado com tango eletrônico. Feliz. Saltitante. E aguardando a próxima aventura...
Beijo de doce de leite.




